No SAC, a amortização é fixa do início ao fim. Como os juros incidem exclusivamente sobre o saldo devedor residual, a base de cálculo encolhe a cada parcela paga. Resultado: o custo financeiro cai mês a mês de forma linear e previsível.
Diferente da Tabela Price, onde a amortização começa baixa e acelera no final, o SAC ataca o principal com a mesma intensidade desde a primeira prestação. Isso reduz o estoque de dívida mais rápido e, consequentemente, derruba o juro embutido na parcela seguinte.
A mecânica por trás da queda
A fórmula é simples: Juros = Saldo Devedor × Taxa. Se a amortização é constante (ex: R$ 1.000,00/mês), o saldo devedor cai R$ 1.000,00 todo mês. A taxa não muda, mas a base sobre a qual ela incide diminui. Não há mágica, apenas aritmética pura aplicada ao fluxo de caixa.
Na prática, a parcela total (amortização + juros) fica mais leve a cada vencimento. O mutuário sente o alívio no bolso progressivamente, o que melhora a capacidade de pagamento ao longo do tempo — um fator crítico em financiamentos longos, como imóveis de 360 ou 420 meses.
Impacto real no bolso: exemplo numérico
Imagine um financiamento de R$ 500.000,00 a 10% a.a. (≈ 0,797% a.m.) em 360 meses pelo SAC.
- Amortização fixa: R$ 1.388,89 (500.000 ÷ 360).
- Parcela 1: Juros = R$ 3.985,00 | Total = R$ 5.373,89.
- Parcela 180 (meio do caminho): Saldo ≈ R$ 250.000,00 | Juros = R$ 1.992,50 | Total = R$ 3.381,39.
- Parcela 360 (última): Saldo ≈ R$ 1.388,89 | Juros = R$ 11,07 | Total = R$ 1.399,96.
O juro da primeira para a última parcela cai 99,7%. A parcela total despenca quase 74%. Quem entra no SAC sabendo disso planeja o orçamento contando com esse desafogo futuro — muitas vezes para absorver inflação de condomínio, IPTU ou escola dos filhos.
O trade-off que ninguém te conta
A entrada é pesada. As primeiras parcelas do SAC são significativamente mais caras que as da Price para o mesmo valor e prazo. Muitos mutuários não passam na análise de crédito (DTI) justamente por causa desse pico inicial. O banco olha a parcela 1, não a média.
Por outro lado, o custo total de juros (CET) costuma ser menor no SAC, pois o principal é devolvido mais rápido. Menos tempo de exposição ao risco = menos juro pago ao banco. É a matemática a favor de quem tem fôlego no começo.
Resumo: no SAC, juro cai porque o saldo cai. Amortização constante força a redução linear da base de cálculo. Entrada cara, saída barata. Ideal para quem prioriza custo total e tem capacidade de pagamento alta nos primeiros anos.
Qual a fórmula exata do cálculo dos juros no SAC?
No SAC, os juros da parcela são calculados multiplicando a taxa de juros efetiva pelo saldo devedor atualizado do mês anterior. Como a amortização é constante, o saldo devedor cai linearmente, fazendo com que a base de cálculo dos juros diminua a cada período.
A amortização constante significa que a parcela total também é fixa?
Não. A amortização (parte que abate o principal) é fixa, mas a parcela total é decrescente. Ela é composta pela amortização fixa mais os juros variáveis. Como os juros caem todo mês, a soma total da prestação também cai.
Por que a primeira parcela do SAC é muito mais cara que a do Price?
No SAC, a amortização é alta desde o início (valor total dividido pelo número de meses). No Price, a amortização inicial é baixa porque a parcela fixa prioriza o pagamento de juros no começo. Isso faz a primeira parcela do SAC ser significativamente maior, exigindo maior capacidade de pagamento inicial.
O saldo devedor no SAC diminui de forma linear?
Sim. Como a amortização é constante, o saldo devedor reduz exatamente o mesmo valor a cada mês. É uma reta descendente no gráfico, ao contrário do Price, onde o saldo cai devagar no início e acelera no final.
Como a taxa de juros (TR, IPCA, prefixada) impacta a queda das parcelas?
A taxa define a inclinação da queda. Taxas maiores fazem os juros iniciais serem altíssimos e a queda mais acentuada em valor absoluto. Taxas menores (ex: TR + 3%) tornam a curva mais suave. Indexadores como IPCA adicionam a variação da inflação ao saldo devedor antes de calcular os juros, podendo fazer a parcela subir se a inflação superar a amortização.
Vale a pena amortizar antecipadamente no SAC?
Vale, mas o ganho relativo é menor que no Price. Como no SAC você já amortiza agressivamente no início, o saldo devedor já está baixo. Abater uma parcela final elimina basicamente o valor da amortização (já que os juros são residuais), gerando economia menor do que abater uma parcela inicial do Price, onde os juros embutidos são gigantescos.
Existe diferença no Custo Efetivo Total (CET) entre SAC e Price?
Geralmente o CET do SAC é ligeiramente menor. Como o saldo devedor médio ao longo do contrato é menor no SAC (paga-se principal mais rápido), a base de incidência de juros, seguros e taxas administrativas é reduzida. Porém, a diferença costuma ser marginal perto do impacto do fluxo de caixa no bolso.
Como simular a queda exata das parcelas do SAC no Excel?
Crie colunas: Saldo Devedor Inicial, Amortização (fixa = Valor Financiado / Nº Parcelas), Juros (Saldo Inicial * Taxa), Parcela Total (Amortização + Juros), Saldo Final (Inicial – Amortização). Arraste para baixo. O Saldo Final de uma linha vira o Saldo Inicial da próxima.
O seguro habitacional (MIP/DFI) também cai no SAC?
Sim. O prêmio do seguro (Morte e Invalidez Permanente – MIP, e Danos Físicos ao Imóvel – DFI) é calculado sobre o saldo devedor. Como o saldo cai linearmente no SAC, o custo do seguro cai na mesma proporção, reduzindo ainda mais a parcela total ao longo do tempo.